Danverso 𓍊𓋼𓍊𓋼𓍊

Pega leve, enquanto tudo ferve

Há mais de um ano eu cansei do meu celular, cansei desse aparelho que drena a minha energia e me dá gatilhos de ansiedade o tempo todo. Passava horas do meu dia scrollando o feed do Instagram e acabei perdendo habilidades que eu sempre tive, como ler e escrever. Escrever esse texto está sendo uma tarefa muito árdua pra mim nesse momento, e eu coloco a culpa nisso no uso exacerbado das redes sociais.
A internet antes era um lugar onde eu pagava alguns reais e passava uma hora em uma cabine onde eu literalmente “entrava na internet”, o tempo era limitado, as coisas eram pontuais e os cliques eram únicos. Eu tinha amigos, eu escrevia artigos legais e registrava o meu dia em blogs e sites que eu construía sozinho.
Hoje a internet me acompanha onde eu vou, ela está no meu bolso, ela dorme do meu lado monitorando o meu sono, ela escuta o que eu digo na privacidade da minha casa e agora ela me escraviza com dopamina barata. Quando foi que eu virei um zumbi que apenas rola um feed infinito?
Eu senti falta daquele mundo blogueiro, feito por pessoas reais e com sites de HTML e banners de gif com glitter, onde a forma era importante, mas o conteúdo também. No ano passado visitei constantemente o Wayback Machine e ficava lendo blogs antigos de pessoas desconhecidas que nem imaginam que seus antigos textos ainda estão na internet. Fiquei fascinado com a estética da web dos anos 2000 e chorei revendo meus antigos textos dos vários blogs que eu tinha (eu era aquele tipo de pessoa que, a cada projeto novo, eu criava um blog). Foi nessa pesquisa árdua e nessa ânsia por voltar a um passado que não cabe mais no mundo moderno que eu caí na bolha do mundo blogueiro atual.
Comecei lendo textos no Medium, porém logo percebi que não era isso que eu estava procurando. O Medium ainda é uma rede social, ainda tem um algoritmo que, de alguma forma, dita o que você lê. Eu queria procurar os blogueiros raízes, aqueles que hospedam seu próprio domínio, criam seus próprios textos e mantêm seus próprios espaços longe do algoritmo das Big Techs.
Foi assim que eu achei um blog muito legal chamado "Cosmoliko" no Blogroll do Ghost, um CMS que eu estava cogitando usar para criar esse espaço. O Cosmoliko é um blog com aquele gostinho dos anos 2000, o cara escreve sobre a vida dele, compartilha links interessantes e resenha os livros que lê, igual como fazíamos na época do Weblogger (lembra do Weblogger do Terra? Eu amava!).
O melhor presente que o Cosmoliko me deu, além dos seus textos legais, foram links de outros blogs com a mesma qualidade e estética saudosista. Eu vomitei arco-íris visitando todos aqueles espaços, aqueles universos únicos de pessoas que, assim como eu, ainda encontram vida longe das redes sociais.

Me apaixonei por um ursão delicioso! ʕ·ᴥ·ʔ

Foi visitando esses blogs que conheci através do Cosmoliko que eu descobri uma plataforma chamada “BearBlog”, que é o CMS que uso para criar o meu próprio espaço na Web e me juntar aos meus novos amigos. O Bear Blog tem uma estética Old Web que me fez chorar quando eu usei pela primeira vez, era exatamente o que eu estava procurando. Essa plataforma me deu uma sensação de pertencimento na Web que eu não tinha há tempos.
Foi assim que eu achei vontade de produzir novamente. Escrever ainda é difícil pra mim, a última década de uso intenso de redes sociais fritou a minha capacidade de concentração, mas encaro esse meu novo projeto como um experimento, um exercício de escrita diária.
Estou amando a minha nova comunidade blogueira, vocês tornaram a internet interessante pra mim novamente, e sou grato a vocês por isso. 💜